Aliena-me, eu te permito.

Pra não dizer que é cômico, vamos considerar como espetacular, a façanha conquistada pela Equipe de Marketing da Warner pela divulgação do filme: Batman: O cavalheiro das trevas. Até quem não gosta, ou pouco se interessa, pelo estilo do filme, é fácil desprender minutos de atenção para as ações realizadas.

Pode-se dizer que a campanha teve seu grande diferencial e talvez, seu ponto de sucesso, ao utilizar-se de grandes sites da rede, não somente os direcionados aos fãs e cineastas ficcionados nos lançamentos de filmes, mas também, para internautas comuns, típicos, que navegam por portais e sites de entretenimento em geral.

Até porque, analisando, principalmente o repertório de figuras e reportagens sobre o filme, percebe-se que a atenção e o conteúdo relatado é destinado ao enredo do filme e à essência da figura do Batman, exaltando suas características intrínsecas, entre eles, seu poder de força, ação, mistério, cenários sombrios, entre outros. Estas características, já conhecida pelos fãs, porém sempre boas de serem revistas, servem para chamar a atenção de um público maior, ou seja, qualquer pessoa pode consumir as noticias trailers e ações de comunicação com um bom entendimento. Detalhes como gastos com produção, efeitos visuais e sonoros, são pouco relatados, o que nos leva a entender que a campanha buscou chamar a atenção geral, tanto da mídia como do público.

Outro ponto positivo a ser citado, é a abrangência da abordagem do roteiro do filme. As peças, ou melhor, as ações não fixam o ponto central no protagonista do filme. É possível encontrar trailers direcionados a outros personagens, principalmente na figura do vilão Coringa (acredito que este seja um dos vilões mais queridinhos da história do cinema), além de cartazes. Acredito que a imprensa entendeu tão bem este apelo, ao mostrar, por exemplo, em uma capa de revista, a figura do Coringa e não a do Batman.

A campanha também ganha ramificação ainda maior quando transforma-se em interativa, não apenas por trazer cenas, vídeos, fotos, cartazes personalizados, mas quando, realiza uma ação fantástica de interação com o público fã, que é o quebra-cabeça deixado em mais de 30 sites envolvidos, no qual, nerds de todo o mundo unidos com o Fórum SSH desvendaram um criptograma que resultou no prêmio de alguns ingressos para assistir ao filme 3 dias antes da estréia. (Fonte: http://www.antenando.com.br/cinema/cinema/chega-ao-fim-a-campanha-viral-de-batman-o-cavaleiro-das-trevas/ acesso em 14 de julho de 2008).

A campanha viral do filme também ganha maior repercussão quando se posiciona como um teaser escancarado, expondo do que trata desde o inicio, com ações que vão tomando corpo e forma com o passar dos dias e meses. A campanha não deu tempo para que o público enjoasse dela, ela esteve presente o tempo todo, porém sempre como novidades, o que facilita a apreensão do interesse do público, despertando a necessidade de buscar sempre mais, principalmente para aqueles que gostam de saber antes de todo mundo sobre alguma coisa.

Com certeza, quem foi atingido por alguma ação da campanha viral e buscou por mais informações está esperando ansiosamente pelo filme na integra. Essa expectativa é uma conquista positiva da campanha, talvez um de seus principais objetivos. Espera-se que realmente o filme seja merecedor de toda a atenção que lhe foi desprendida nas ultimas semanas. Coming Soon!

Toda a campanha, ao chegar ao seu fim, nos leva a perceber e analisar uma outra relação da publicidade mundial. O quanto importante ela vem colocando sua posição, e sua necessidade em alienar as mentes. Através de puro entretenimento e diversão, porque você não vai assistir ao trailer do Batman para melhorar seu desempenho profissional ou por qualquer outra necessidade. Só vai ser importante e extremamente necessário consumir o Batman se você for diretor, ator, produtor, professor ou estudante de Hipermídia. Assim, coloca-se como uma distração você assistir ou consumir qualquer coisa relacionada, não só ao filme do Batman, mas a tantas outras, ações que existem por aí do mundo da comunicação. Elas vem sendo apresentadas, a cada dia, de maneira mais inteligente, inusitada, espetacular e, ainda, com poder de alienação maior.

A campanha do filme, que foi sendo colocada e mostrada aos poucos é o exemplo ideal para isso. O consumidor não só apresenta interesse por um filme a partir de um trailer, mas ele é levado a esperar pelo dia posterior, semana ou mês seguinte para saber um pouco mais sobre ele. Isso nos coloca em profunda confusão, porque ao mesmo tempo em que recebemos em mãos pesquisas e dados sobre o quanto “imediatista” anda o consumidor, o quanto anda cansado e descartando a publicidade, não a levando a sério, também podemos ver um outro parecer, consumido em migalhas diárias e uma espera ansiosa pela chegada de mais um produto ao mercado.

00:01

Há um tempo em que eu gostaria de parar, fechar os olhos e não pensar em nada. E não lembrar de nenhum dever, problema, ou coisa a fazer. Mas não. Mesmo que aparentemente não esteja fazendo nada, inconscientemente ou “informatizadamente” há algo processando em mim, ou por mim. Desde que meu nome caiu na rede, tornou-se parte ou ítem da vida de alguém, de algum lugar, não há mais como parar.

Desenfreadamente as coisas acontecem, relacionadas ou não, a mim ou a você, mas interligadas na rede.

Você passa a fazer parte de não só um, mas sim, de vários enredos. Partes de um espetáculo, que são formados por infinitos atos, e que no final, você não tem e nem nunca encontrará o script final.

Se é você mesmo quem o escreve, nem isso você pode ter certeza, afinal, lembre-se, mesmo que sua mente nada queira ou nada esteja fazendo, há algo processando em você ou para você, afinal, você está na rede.

Há dias, em que você torce para que o processar de toda essa máquina, seja o mais lento possível. Tudo parece correr e ultrapassar os seus limites, assim, você grita por piedade e misericórdia, tentando acompanhar uma velocidade, que aparentemente, parece incontrolável.

Assim como há dias em que sua mente processa e digere tudo da melhor maneira possível. Você escuta, processa e realiza, ou melhor, concretiza.

O julgar entre o certo e o errado são coisas que merecem cada vez menos um espaço de interpretação e de atenção. Assim, muitos dos atos passam despercebidos, aos olhos da grande maioria da humanidade, afinal, sempre há algo processando em sua mente ou para sua mente, e você mal consegue entender a você, imagine então, a coisas que merecem a atenção e concentração para interpretação e um conseqüente julgamento.

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